Sobre a Cura da APLV e demais Alergias Alimentares

Minha opinião baseada em minha vivência sobre a cura da APLV e demais Alergias Alimentares do meu filho.

Quando comecei a dieta de exclusão do leite animal li em vários lugares que 75% dos alérgicos a leite se curavam no primeiro ano, 90% no segundo ano e uma minoria se curava até os seis anos de idade. No meio disso, uma porcentagem minúscula ficava alérgica o resto da vida.

Não é bem isso que tenho visto nos grupos. Os maiores números de casos de relatos de cura que li estão entre 1 ano e 8 meses até os 4 anos. E no meio disso há os regressos (os que voltam a ser alérgicos meses após a “cura”). A vivência e o tempo nos trazem experiência, e com isso, amadurecimento.

Hoje me sinto madura com a APLV. Nos dias rotineiros nos damos tão bem com as restrições que sinceramente eu nem percebo. É chato e ainda continua difícil por causa da péssima rotulagem dos produtos (alimentícios, de higiene, cosméticos, etc) e total ignorância de todos sobre o assunto, mas não é algo que me pego pensando a todo instante.

O alergista que fomos deixou bem claro que as alergias são marcadas em nosso DNA, estarão sempre lá. Elas podem ficar adormecidas a vida toda, ou voltar no dia seguinte. É uma caixinha de surpresa. Portanto quando a cura chegar, para evitar o retorno da APLV é importante nunca exagerar no leite e derivados. Evitar ao máximo, pois além de não ser tão saudável quanto se imagina ele não faz falta na alimentação do meu filho. O importante mesmo é liberar os traços para que possa ter uma vida social normal.

Não fico mais sonhando com a cura. Eu sonho com o dia em que poderemos consumir traços de leite para única e exclusivamente podermos comer (e até beber água!) fora de casa e sem nossos utensílios. A maioria das mães sofrem em não poder dar um danone ou queijo para o filho. Não vejo lógica nisso. Eu não sofro pois não é importante. Sofrimento é não poder dar uma banana, um mamão. Sofrimento são alergias alimentares múltiplas ou alergias alimentares de repetição.

Leite não faz falta nenhuma, na verdade peguei nojo. E quando vejo as mães comemorando a cura do filho com uma foto todo lambuzado no danone eu penso que perderam uma ótima chance de aprender algo novo com essa situação. Viram a APLV simplesmente como uma doença, ou uma vilã, e não como a oportunidade de viver melhor e descobrir uma forma diferente e naturalmente mais saudável de viver.

Não digo que vou virar vegana (vontade não falta!) após a cura, bem provável que vou voltar a comer pizza vez ou outra e tomar sorvete aos finais de semana, mas me pego pensando na possibilidade de não gostar mais. No começo sofri de mais com a retirada brusca do leite (e outros alimentos) da minha vida, mas depois de nove meses na dieta eu já nem lembro mais o sabor e o cheiro parece chulé de bebê. Descobri tanta “podridão” sobre o leite de vaca, seu manuseio, sua produção, seu consumo… Que perdeu o agrado aos meus olhos!

Antes da APLV meu consumo de leite era altíssimo! No mínimo dois copos por dia, mais margarina, queijo, requeijão, cappuccino, creme de leite, leite condensado e a lista só aumenta. Achava que era o certo, que leite era cálcio. Qualquer receita precisava de leite para ser mais saudável e gostosa. Com isso eu tinha eventuais quedas de pressão, às vezes enjôos repentinos, muitas vezes tive que deitar após comer por sentir uma total indisposição, cândida de repetição, “alergia à água” e muito mais. Antes da APLV do meu filho eu jamais associaria esses sintomas com o “sagrado” leite de vaca.

Desde que comecei a dieta sem leite, soja e ovos adoeci uma única vez, peguei um gripão do meu filho e mesmo assim não tomei nenhum medicamento e não fiquei de cama, e antigamente se eu gripasse era certeza que ficaria de cama e me entupia de remédios. Não sinto mais queda de pressão, me sinto mais saudável e limpa por dentro, as alergias “estranhas” e à “água” sumiram 99%, nenhuma cândida, etc. Posso dizer que sou mais feliz sem queijo, pizza e lasanha!

Descobri que felicidade não é única e exclusivamente comer. Que há felicidade nas pessoas, nas amizades, nos lugares, nos eventos, nas coisas mais simples e toscas. Que se toda vez que você se sentir triste ou entediado se entupir de porcarias na frente da televisão ou ouvindo música você nunca vai descobrir formas diferentes, bacanas, sinceras e saudáveis de ser feliz! É por isso que é preciso fechar algumas portas e janelas antes de abrir outras.

Voltando ao foco. Sinto que todos estão mais preocupados com a cura do Pedro do que eu. Não me preocupo com o dia em que a cura chegar, ela vai chegar no momento que o corpinho dele estiver pronto. Minha preocupação é manter ele saudável mesmo com as alergias. Isso é o importante!

Peço que não se preocupem também. Tudo tem seu tempo. A cada dia que se passa é um dia mais próximo da cura. E a cura é sinônimo de menos preocupação (afinal preocupação de mãe nunca acaba, rss), e não de mais porcaria na alimentação! Não me sinto nem um pouco ansiosa para dar um queijo ou danone ou iogurte ou seja lá o que for ao Pedro. Sei fazer todas essas coisas veganas. Posso dar para ele comer para que vocês fiquem felizes, rss. Mas para nós isso não faz falta.

Tenho em mente que mesmo curado não vou manter o costume de oferecer leite de vaca para mim e meu filho. Sucos e leites vegetais são de longe muito mais saudáveis! E todos que pensam “Coitados, não há vida sem leite”, eu deixo meus pêsames e espero que de coração, um dia saiam da caixinha ao qual foram colocados.

Para finalizar, creio que fui alérgica ao leite de vaca quando criança também. Quase tudo se encaixa nesse diagnóstico, mas isso é história para outro dia. Portanto, se você sente coisas estranhas (tonturas, enjoos, fraqueza mesmo com boa alimentação, falta de ar, coceiras, vermelhidão, pele ressecada, doenças repetidamente, mal funcionamento do intestino, refluxo, infecção das amídalas, etc, a lista é imensa!) que todos dizem ser normal ou “faz parte”, que nenhum médico encontra o diagnóstico, então eu recomendo a retirada total do leite de vaca da sua vida. Faça esse teste. Se em um mês não houver melhoras, pelo menos você tentou. O que não vale é ficar na duvida por pura preguiça e comodismo.

Escrito pela mamãe Angélica Azambuja. Todos os direitos reservados! Se quiser compartilhar esse texto, repasse o link desta página do Meu Mundo APLV ao invés de copiar o texto. Grata!

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